Barnabé ou Alexandre? Quais sementes você está plantando?

Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 09/02/2026

Versículo Base: João 17

Nós como igreja temos dois propósitos claros: evangelizar e ter misericórdia. E para isso, é necessário que mantenhamos a unidade. Esse, inclusive, é um tema central do evangelho. Jesus orou por isso. Em João 17, Ele deixa claro que não intercedia apenas pelos apóstolos, mas por todos nós que creríamos n’Ele por meio da Palavra, para que todos sejamos um. Quando vivemos em unidade, o mundo reconhece que Jesus verdadeiramente está conosco. Mas quando há críticas, disputas, brigas por espaço, vaidades e meninices, essa unidade se rompe e o testemunho do evangelho é enfraquecido.

Jesus afirma que nos aperfeiçoamos juntos. O crescimento cristão não é isolado; ele acontece no corpo. Ninguém é perfeito, nem líderes, nem pastores, mas há uma decisão no coração de se aperfeiçoar, de crescer, de errar, arrepender-se e seguir adiante. Deus vê essa intenção. Ele enxerga quem seremos daqui a meses, anos, e sabe quem decidiu amadurecer.

Para refletir sobre unidade e pertencimento, observo dois personagens bíblicos: Barnabé e Alexandre, o latoeiro. Dois homens que viveram na mesma época, receberam instruções semelhantes, caminharam próximos ao evangelho, mas fizeram escolhas completamente diferentes.

Barnabé é apresentado como o pacificador. A Bíblia diz: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. Ele era um homem que agregava, conectava pessoas, promovia reconciliação. Foi essencial para a inclusão de Paulo no meio dos apóstolos, quando todos ainda temiam aquele que antes perseguia a igreja. Barnabé teve coragem, maturidade e discernimento espiritual para dizer: “Eu garanto esse homem”. Sua influência foi decisiva para a expansão do evangelho.

Barnabé foi um homem altruísta. Colocou o reino de Deus acima de seus interesses pessoais. Sua conversão foi completa. Ele entendeu seu chamado, desprendeu-se de seus bens e passou a viver para a obra. A Bíblia o descreve como cheio do Espírito Santo e de fé. Era um conector de pessoas, alguém que sabia que pequenas atitudes — uma palavra, um abraço, uma oração, um gesto de generosidade — produzem frutos eternos.

Ele vivia generosidade e pertencimento. Não há espaço para egoísmo ou espírito de vingança na vida cristã. Pertencer é uma decisão. Barnabé também foi obediente aos seus líderes, tinha visão de reino, submissão e lealdade. Quando percebeu que Paulo já estava firmado, investiu em outros, como Marcos, formando novas lideranças. Ele não construiu um ministério pessoal, mas o reino de Deus.

Barnabé foi um homem confiável. Em tempos de crise, quando houve fome na Judéia, foi escolhido para levar as ofertas, porque havia conquistado a confiança da igreja. Era íntegro, transparente, encorajador, cuidadoso com as pessoas e sensível às diferentes maturidades espirituais. Por isso foi chamado de “filho da consolação”.

Do outro lado está Alexandre, o latoeiro. Um homem adulto na idade, mas imaturo nas atitudes. Paulo afirma que ele causou muitos males à obra. Resistiu fortemente à Palavra de Deus, associou-se a outros rebeldes, promoveu divisões, ensinou falsas doutrinas e se opôs abertamente à liderança espiritual. Alexandre representa o arquétipo do religioso orgulhoso, legalista, insubmisso e contaminador.

Ele pregava heresias, se colocava como mestre sem compreender o que ensinava, fomentava críticas, rebeldia e divisão. Muitos teólogos ao longo da história o descreveram como falso irmão, herege combativo, lobo infiltrado, opositor carnal, movido por inveja, ressentimento e ambição. Sua atuação foi sabotagem deliberada contra o evangelho.

Paulo reconheceu que alguns conflitos não se resolvem com diálogo e entregou Alexandre ao juízo de Deus. A Escritura alerta que rejeitar a boa consciência leva ao naufrágio da fé. O Espírito Santo nos alerta quando algo está errado; tudo o que fazemos no reino precisa produzir paz.

Esses dois homens nos confrontam. Com qual deles eu me pareço? Sou alguém que agrega, encoraja, protege a unidade e serve ao corpo, ou alguém que critica, divide e enfraquece o reino? Satanás trabalha para destruir a unidade, plantar contaminação no coração e gerar conflitos. Por isso precisamos vigiar, orar e viver com transparência.

Não pode haver reserva de domínio no coração. É necessário confessar, arrepender-se e caminhar em maturidade. Fomos chamados a viver em unidade e pertencimento. Pertencemos ao reino de Jesus e, na terra, pertencemos ao corpo, à igreja local. Quando um sofre, todos sofrem. Quando um precisa, todos ajudam. Isso é o evangelho.

Barnabé decidiu ser fiel, leal, agregador, mesmo vendo falhas humanas. Alexandre escolheu a rebeldia, o orgulho e a divisão. 

Que eu e você façamos a escolha certa: abandonar a meninice, crescer em maturidade espiritual e expor nossa vida pelo nome do Senhor Jesus Cristo.

Compartilhe em suas redes sociais