Graça e Perdão

Pastor Leandro Paloschi
Publicado em 20/03/2026

Na minha infância, havia uma brincadeira em que jogávamos pedras uns nos outros. E eu me lembro de que, quando recebia uma pedrada, eu não gostava. Doía, machucava, despertava uma raiva dentro de mim e uma vontade de revidar. Isso era coisa de criança, mas muitas vezes, na nossa caminhada, ainda agimos assim.

Nós estamos no caminho do evangelho de Cristo, e caminhar com o Senhor não tem sido fácil quando tiramos os olhos dEle. Mas, quando os nossos olhos estão firmes em Cristo, nada nos tira do caminho. Buscando a direção de Deus, entendi que precisamos de sabedoria. A Palavra diz que a sabedoria clama, pede para ser ouvida. E eu te pergunto: na sua caminhada, você tem encontrado essa sabedoria ou tem vivido pela sua própria força?

Quantos já foram feridos nessa caminhada? E quantos conseguiram liberar perdão? Muitas vezes, somos feridos por palavras, por traições, por injustiças — geralmente vindas de pessoas próximas. E quando isso acontece, três coisas entram no nosso coração: mágoa, dor e ressentimento. Quando levamos isso para dentro de nós, nasce uma justiça própria, e isso nos paralisa. Muitas pessoas não avançam porque não liberaram perdão.

Por isso, Deus trouxe essa palavra: graça e perdão. Graça é receber de Deus algo que nós não merecemos. Nós não merecíamos, mas Deus nos perdoou. E o perdão é liberar alguém da dívida emocional ou espiritual que ela criou contra nós. Perdoar não significa que não doeu ou que o erro foi certo, mas significa que eu entrego essa dor a Deus e não carrego mais esse peso.

A Palavra nos ensina a perdoar como o Senhor nos perdoou. Não é porque a pessoa merece, mas porque nós fomos perdoados. Na nossa caminhada, situações vão acontecer, coisas vão nos atingir, mas nós não podemos sair da cruz. Muitas vezes começamos o dia bem, buscamos a Deus, mas no meio do caminho algo acontece e perdemos a paciência. Saímos da cruz. Precisamos permanecer em Cristo.

Quem não libera perdão não consegue viver plenamente a graça de Deus. José foi traído, vendido, injustiçado, mas quando teve a oportunidade de se vingar, ele escolheu perdoar. E isso nos ensina que nós também temos uma escolha: ou continuamos presos ao passado ou decidimos liberar perdão. Quem não perdoa fica preso ao passado, mas quem perdoa abre espaço para o futuro de Deus.

Quando carregamos mágoas, nos tornamos pesados, vagarosos, e não conseguimos correr a corrida que Deus propôs para nós. E não basta apenas lidar superficialmente com isso — é preciso arrancar a raiz. Porque, se a raiz de amargura permanece, tudo volta novamente.

As situações vão acontecer, isso é inevitável. Mas a diferença está em como reagimos. Quando mantemos os olhos em Cristo, não nos ofendemos facilmente e aprendemos a liberar perdão com rapidez. Para isso, precisamos reconhecer a dor, decidir perdoar e pedir ajuda a Deus, porque muitas vezes sozinhos não conseguimos.

Alguém precisa dar o primeiro passo. Alguém precisa se humilhar. Alguém precisa “perder” para ganhar. Quando guardamos ofensas, vamos acumulando dentro de nós, e isso nos torna pesados, irritados e presos. Mas quando liberamos perdão, somos livres.

Se não liberamos perdão, carregamos dor, ressentimento e um vazio que nada preenche. Mas quando entregamos isso a Deus, Jesus entra e tudo se torna paz. Deus quer curar essas feridas e nos libertar para viver plenamente o evangelho.

Por isso, hoje é dia de decisão. Não deixe para depois. Procure, ligue, converse, libere perdão. Ore e peça ajuda a Deus. Quando entendemos a graça que recebemos, conseguimos liberar perdão.

Quando olhamos para Cristo, encontramos tudo o que precisamos. E, quando obedecemos à Palavra, tudo se torna mais leve. Se Deus é por nós, quem será contra nós?

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