Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 23/08/2026
“Só tinha que dar nisso” é uma expressão que usamos para justificar tragédias, divórcios, falências e tantas outras situações, mas também para reconhecer bons frutos. Quando vemos alguém sábio, esforçado, trabalhador, dedicado, que aproveita seu tempo, sabe planejar e decide obedecer, só tinha que dar nisso: uma pessoa feliz, bem-sucedida e honrada. As pessoas que buscam com perseverança e dedicação alinhar suas vidas só têm que colher bons frutos. Ao contrário, os acomodados, displicentes, indisciplinados, orgulhosos, soberbos e preguiçosos só têm que colher maus frutos. O alinhamento correto de vida precede todas as vitórias.
Precisamos entender que alinhamento precede todas as coisas. Quando fazemos uma autoanálise, é muito fácil entrar em autocomiseração e encontrar justificativas para aquilo que não fizemos. Mas o alinhamento de vida fora da Palavra de Deus resulta em derrotas e perdas — e perdas não são apenas financeiras: perdemos paz, relacionamentos, amizades e até pessoas para quem poderíamos telefonar em um dia difícil. Alinhamento é tempo de semear. Quando o coração se alinha, a visão muda; nossas condutas, atitudes e conhecimento precisam andar de acordo com a Palavra para que a visão também mude. Nossa carne é fraca, por isso precisamos vigiar e orar, cumprir o que diz a Palavra e abandonar o “mimimi”. Sem um alinhamento maduro e responsável, não teremos sonhos realizados.
O alinhamento de vida de cada um de nós precede todas as coisas. Todas as coisas são consequências do nosso viver. Deus sabe o que acontecerá amanhã e daqui a muitos anos porque conhece as escolhas que faremos. Por isso, o alinhamento precede nossas orações e nossos comportamentos. Nenhum sonho floresce sem o solo da perseverança e o adubo do sacrifício. E, quando percebemos que estamos construindo uma vida sem alinhamento, podemos recomeçar hoje e corrigir a rota. Precisamos diariamente reavaliar nossos alinhamentos, com humildade, perguntando: “O que eu realmente preciso purgar da minha vida? O que preciso arrancar do meu coração?”. Corrigir rota é pedir que Deus arranque do nosso coração, comportamento e vida aquilo que não lhe agrada.
Não encontraremos pessoas perfeitas, igrejas perfeitas ou relacionamentos perfeitos, mas podemos corrigir a rota todos os dias. Guardar nossos olhos e ouvidos e preservar nosso coração protege nosso fogo espiritual. Não podemos deixar que o mal que nos feriu ofusque o bem que Deus já nos deu. A murmuração aprisiona, enquanto a adoração cura. A ferida que não curamos, o perdão que não damos e a reconciliação que não buscamos intoxicam nosso entorno, adoecem emocional e espiritualmente nossos relacionamentos e tiram-nos do alinhamento com Deus. Acessamos o milagre por meio da confiança em Deus, depositando nossa vida em suas mãos e dizendo: “Tome-me em tuas mãos e seja feita a tua vontade”.
Ezequias é um exemplo de uma vida alinhada. Ele foi um dos monarcas mais fiéis, combateu a idolatria, promoveu uma reforma religiosa e buscou a Deus de todo o coração. A Palavra diz que, em tudo o que empreendeu no serviço do templo e na obediência à lei e aos mandamentos, buscou seu Deus e trabalhou de todo coração; e por isto prosperou. Alinhamento de vida com a Palavra propicia ambiente de prosperidade — não apenas dinheiro, mas prosperidade nos relacionamentos, na família e dentro de nós mesmos. Ezequias tinha um “pré-agendamento mental”: “O que eu vou fazer que agrada o coração de Deus?”.
Quando Ezequias ficou doente, recebeu a notícia de que morreria. Ele virou o rosto para a parede e orou: “Lembra-te, Senhor, de como tenho te servido com fidelidade e com devoção sincera, e tenho feito o que tu aprovas”. Deus ouviu sua oração, viu suas lágrimas e decidiu acrescentar quinze anos à sua vida. Deus atende primeiro o coração, um coração alinhado com Ele. Alinhamento é obediência. É obedecer antes a Deus do que aos homens.
Alinhamento é mudar nossa escala de valores e estabelecer o que realmente é prioridade para a intimidade com Deus. Precisamos de raízes profundas e sadias na fé, para que as tempestades não roubem nosso alinhamento com o Evangelho. É fazer crescer as raízes da esperança, da fé e do amor; é ter satisfação verdadeira em adorar e reverenciar o Senhor; é arrancar as escamas das machucaduras e das coisas do passado que nos isolam do tratamento de Deus; é exterminar as obras da carne e conquistar a revelação de Deus pela intimidade.
Alinhamento não é apenas buscar milagres, mas também buscar aquilo que sustenta nossa fé: os olhos na revelação das coisas do Pai. É preciso arrumar a casa, corrigir a rota, consertar relacionamentos rompidos, pedir perdão e perdoar, reatar relacionamentos quebrados e extinguir hábitos de pecado. As pessoas não decidem nosso futuro: elas decidem seus hábitos, e seus hábitos decidem seu futuro. Não decidimos diretamente o futuro; decidimos nossos hábitos, comportamentos e atitudes, aquilo que habitualmente fazemos — e é isso que decidirá nosso futuro. Por isso, precisamos permitir que o Espírito Santo traga à nossa memória aquilo que ainda precisa de realinhamento. Na Santa Ceia, examinamos a nós mesmos e renovamos nossa aliança: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados”.