Misericórdia é para todos

Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 23/08/2026

Quando temos oportunidade de mergulhar profundamente nos rios de Deus, somos lembrados pelo Espírito Santo de tantas coisas importantes para a nossa jornada como filhos de Deus. Precisamos manter essas experiências como igreja para reacender a chama, acelerar os ministérios e, principalmente, para que a presença do Senhor seja verdade na vida de cada um de nós. De nada adianta termos igreja, virmos aos cultos, orarmos e fazermos tantas coisas se não tivermos a presença do Senhor. Entre todas as experiências sobrenaturais que podemos viver nos retiros, nos cultos e nos devocionais, a mais importante é realmente a presença de Deus.

É a presença de Deus que vai arrancando do nosso coração coisas que ficaram nos machucando, até aquelas que pensamos já ter resolvido. Sem a presença de Deus, nossas vidas ficam vazias e não conseguimos ser crentes alegres; mas, se entendermos que a presença do Espírito Santo dentro de cada um de nós é substancial, haverá um avivamento verdadeiro. Existe uma luta constante para nos amornar e nos tornar frios no Evangelho. Por isso, precisamos cultivar a presença do Espírito Santo e não ficar de fora dessa busca.

Essa busca passa por um processo: começa com humildade, passa por arrependimento e confissão. Precisamos confessar nossas desobediências, nossos pecados, e permitir que sejamos constantemente limpos, porque o pecado tem o poder de ofuscar a presença do Espírito Santo em nós. Somos filhos de Deus e queremos uma constante melhoria em nossas vidas; essa melhoria começa pela obediência à Palavra e pela presença manifesta do Espírito Santo em cada passo da nossa peregrinação. E vamos ser conduzidos pela estrada da gratidão, porque é a gratidão que destrava esse processo.

Quando temos gratidão, conseguimos enxergar Deus como Ele é: imenso, supremo, cheio de misericórdia, carinho e amor. A gratidão vai atrair a misericórdia de Deus. Quando olhamos para uma pessoa com gratidão, os defeitos já não ofuscam o bem que ela nos faz. E, quando chegamos à vivência da graça de Deus, encontramos a misericórdia, que é imensa e infinita. A misericórdia de Deus nos conduz pelos caminhos do seu amor, é sempre recomeço, nos faz resistir ao diabo e desfrutar de uma vida alegre, sustentada pela graça.

Em Efésios 2 somos lembrados de que estávamos mortos em nossas transgressões e pecados, vivendo segundo a vontade da carne e os desejos do mundo. Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, nos deu vida com Cristo. Somos salvos pela graça, por meio da fé; isso não vem de nós, é dom de Deus. Não conquistamos a graça por nossas obras, ofertas, dízimos, dinheiro, poder ou fama: é graça de graça. Porém, somos criação de Deus para fazermos boas obras. A boa obra é nossa obrigação, mas não é por ela que somos salvos.

Fazer o bem não significa apenas dar dinheiro. É sorrir para alguém, abraçar quem está passando por uma dificuldade, pegar o telefone, ligar, conversar, visitar, investir nosso tempo, nossa energia e nosso amor. Tudo aquilo que investimos em fazer o bem vai voltar multiplicado. Deus não fica devendo nada a ninguém. Fazer o bem é importante porque, além de Deus retribuir, deixamos de cometer um pecado.

A misericórdia é para o ofensor e para a vítima. Quando somos ofendidos, queremos que Deus estrangule nosso ofensor, mas a Bíblia manda orar por ele. Se o ofensor toma consciência do que fez e se arrepende, Deus entra com misericórdia; e, quando a vítima precisa de ajuda para prosseguir depois da humilhação e da dor, Deus também oferece misericórdia. Por isso, há misericórdia para todos. O elo que liga o Deus santo à pessoa pecadora é o amor, e desse amor se manifesta a misericórdia através do perdão e da reconciliação.

A graça leva à misericórdia e, quando agradecemos por essa misericórdia, nasce um processo chamado alívio. É como o corredor de uma maratona que, depois de correr muitos quilômetros, recebe um copo de água, sente alívio e continua correndo. É isso que Deus faz conosco: recebemos misericórdia como alívio para continuar a corrida e a batalha. Paulo é um grande exemplo: ele se reconhece como blasfemo, perseguidor e insolente, mas alcançou misericórdia, e a graça do Senhor transbordou sobre ele com fé e amor em Cristo Jesus.

Precisamos olhar para dentro de nós. O leão da brabeza e da vingança faz parte da nossa natureza e precisa morrer para que o Espírito Santo cresça. Todos encontraremos ofensas pelo caminho, mas vingança não faz mais parte da nossa linguagem: acabou. Precisamos orar pelo nosso ofensor. Não podemos deixar que conversas, críticas ou perseguições dentro da própria igreja roubem a misericórdia da nossa vida. Foquemos em Jesus, não em homens; foquemos na presença de Deus e no Espírito Santo.

O Salmo 103 nos lembra que o Senhor é compassivo e misericordioso, paciente e cheio de amor; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. A misericórdia de Deus é para todos e para todas as situações. Não há nada que Deus não possa nos ajudar com a sua misericórdia. Talvez Ele precise nos fazer descer, nos levar à humildade e nos ensinar a depender dele, mas amanhã haverá misericórdia nova, porque grande é a sua fidelidade. Nossa porção é o Senhor; portanto, esperaremos nele.

Quando o mar tentar nos encobrir, quando parecer que vamos afundar, quando a escuridão quiser nos abraçar e a esperança parecer perdida, nós nos lembraremos do amor de Jesus. A paz é uma promessa. Estamos seguros, porque o nome de Jesus acalma a tempestade, ilumina a escuridão e lança fora o medo. Por isso, foquemos em Jesus e deixemos o Espírito Santo permanecer presente em todas as situações. A bondade e a fidelidade do Senhor nos acompanharão todos os dias da nossa vida.

E podemos terminar declarando: somos cheios da misericórdia, temos todo o amor de Deus e podemos crer no Senhor Jesus.




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