Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 23/08/2026
A Palavra nos orienta a olhar para cima, e, quando vierem os perrengues da vida, podemos dizer: “Elevo os meus olhos para os montes. De onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. Assim como os olhos dos servos atentam para as mãos do seu senhor, os nossos olhos devem estar atentos ao Senhor até que Ele tenha piedade de nós. Precisamos correr com paciência a carreira que nos foi proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé, e buscar as coisas que são de cima, pensando primeiro nas coisas de Deus e depois nas coisas da terra.
Uma das maiores dificuldades que temos hoje é olhar para Deus com constância, temor, fé e rendição à vontade dele. Muitas vezes olhamos para os lados ou para baixo, em vez de mantermos o foco para cima. E uma das maiores barreiras ao nosso crescimento espiritual é não assumirmos nossas culpas, erros e limitações. Só cresce quem admite: “Errei mesmo, me perdoa, vou para frente”. Podemos ter dificuldade por causa de traumas, acusações falsas, medo de perder o controle ou porque não entendemos por que Deus permite determinadas situações. Mas todos temos dentro de nós um gigante que precisa ser dominado: a autodefesa.
Nós nos defendemos imediatamente com desculpas, acusações e transferência de culpa. Culpamos as circunstâncias, o cônjuge, os pais, os filhos, os professores, os patrões, o mercado, as leis, os governos, os líderes e até Deus. Esse mecanismo precisa ser destruído, porque é alimentado pelo orgulho, pela soberba e pela arrogância, tentando justificar nossa desobediência e fugir do confronto com o Senhor. Essa transferência de culpa começou no Éden: Adão culpou a mulher que Deus lhe dera, Eva culpou a serpente, e esse padrão continua aparecendo na Bíblia e em nossas famílias, casamentos, empresas e igrejas.
Precisamos aprender a conviver com nossos erros e encará-los de frente. Isso é crescimento, isso é maturidade. Quando conseguimos dizer “isso é comigo, eu preciso melhorar nisso”, fazemos propósitos, e Deus conhece o nosso coração. Não podemos fugir da lapidação. A lapidação do diamante solta faísca; a do ouro passa pelo fogo. Às vezes trocamos Deus por coisas que são importantes, mas que nos tiram da direção do Espírito Santo: adoramos a Bíblia em vez de adorar aquele que nos deu a Bíblia; colocamos uma palavra recebida acima do próprio Deus; amamos mais o emprego, a família, os relacionamentos ou aquilo que recebemos do que o Doador de todas as coisas. Primeiro Ele. O doador é mais importante que todas as coisas que temos recebido.
Olhar para cima é buscar o Senhor, que graciosamente nos liberta da culpa e nos conduz. É sair da autocomiseração, servir, agradecer pelo descanso, pela companhia, pelos amigos e por tudo aquilo que Deus coloca em nossa vida. É reconhecer que nada acontece sem o conhecimento de Deus. Isaías nos chama: “Levantai ao alto os olhos e vede quem criou todas essas coisas”.
Jó nos ensina isso de maneira profunda. Mesmo coberto de tumores, tendo perdido os filhos, os bens e estando fora da cidade, ele declarou: “Ele conhece o caminho por onde ando. Se me puser à prova, aparecerei como ouro”. Em meio ao sofrimento, Jó fez três declarações de fé: Deus conhece a sua situação; ele crê que Deus está permitindo a prova; e crê que, depois dela, será como ouro refinado. Ele não nega as provas, mas reconhece que existe esperança para além delas. Somos diamantes sendo lapidados, somos ouro sendo refinado.
Nada do que está acontecendo em nossa vida é sem o conhecimento de Deus. Ele conhece o caminho em que andamos e tem propósito para tudo: para as perdas, os ganhos, as doenças e as dificuldades. É difícil passar por essas situações com alegria, mas, depois da experiência dolorosa, também apareceremos como ouro. Tempos melhores virão. Tudo vai valer a pena. Deus nunca disse que a jornada seria fácil; prometeu vida eterna e afirmou que a chegada valeria a pena. Deus sabe, Deus sempre lembra e Ele vai recompensar. Tenha esperança. Olhe para cima. Deus te recompensará.