Tal Pai, tal filho

Pastora Camila Paloschi
Publicado em 10/03/2026

Ensinamos às crianças o significado do tabernáculo para que compreendam a presença do Espírito Santo. Mostramos que hoje não precisamos mais da arca da aliança física, pois nossa aliança é com Cristo. Para chegar à presença de Deus é preciso passar pela porta, que é Jesus; entender que o sacrifício já foi feito; ser purificado; alimentar-se da Palavra; receber a luz do Espírito Santo e viver em adoração. No Santo dos Santos estava a arca, e ali havia também a vara que representa a disciplina de Deus. É sobre essa disciplina que quero falar.

A disciplina nunca é bem aceita no momento em que é dada, mas depois produz fruto e liberdade. Por isso digo: tal pai, tal filho. O seu filho é o seu espelho. Ele não é o problema; antes de qualquer coisa, ele reflete as nossas próprias atitudes. Os filhos não copiam o mundo primeiro, eles copiam os pais.

Deus constituiu os pais como autoridade sobre a vida das crianças. Somos canais para transmitir valores, verdade, atributos e a vontade do Senhor aos nossos filhos. Se queremos que eles caminhem no caminho do Senhor, precisamos estar em comunhão com Deus e conhecer a Sua Palavra. Sem isso, como teremos autoridade para discipliná-los?

Hoje vejo uma geração não apenas ferida, mas abandonada — muitas vezes abandonada aos celulares. Muitas vezes damos o celular não por necessidade deles, mas por conforto nosso. Não queremos gastar tempo educando aqueles que nós mesmos geramos. No entanto, nossos filhos são nossa responsabilidade.

Os pais estão no palco da vida e os filhos são a platéia que observa todos os dias. Aquilo que fazemos se torna o exemplo que eles seguem. Quando dizemos “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, ensinamos mentira. Os filhos de Deus não apenas falam como cristãos; eles vivem como cristãos.

Percebo isso também dentro da minha própria casa. Eu e meu marido tivemos que reconhecer nossas falhas antes de exigir mudança dos nossos filhos. Quando começamos a nos disciplinar, surgiu autoridade em nosso lar. Os filhos mudaram porque nós mudamos primeiro.

 

Como podemos esperar que nossos filhos amem ao Senhor se eles não veem isso dentro de casa? Não basta vir à igreja ou trabalhar para Deus; eles precisam ver nosso amor por Ele no cotidiano. Muitas vezes os filhos dizem: “Minha mãe fala para eu não fazer fofoca, mas ela faz”, ou “Meu pai manda eu ir à igreja, mas ele não vai”. Nossos filhos observam tudo.

A Palavra nos ordena em Deuteronômio que ensinemos aos nossos filhos a Palavra do Senhor ao sentar, ao andar pelo caminho, ao deitar e ao levantar. A igreja pode ajudar, mas a responsabilidade não é dela; é dos pais. A fé não se constrói de retiro em retiro, mas todos os dias dentro de casa.

Educar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor é um mandamento. Disciplinar é corrigir, orientar, ensinar respeito e limites. Os filhos precisam de direção. Eles aprendem por repetição, por convivência e por exemplo.

Também chamo a atenção dos avós: vocês têm história, sabedoria e testemunho para transmitir. Conversem com seus netos, ensinem, compartilhem experiências de vida e de fé.

A responsabilidade de educar pode ser compartilhada, mas nunca transferida. Deus delegou aos pais a tarefa de formar o coração dos filhos. Precisamos vigiar aquilo que entra na mente deles, cuidar do que ensinamos e plantar a Palavra de Deus diariamente.

Não tenham medo de disciplinar seus filhos. Quando fazemos isso segundo a Palavra de Deus, Ele nos dá autoridade. Talvez no momento eles resistam, mas depois compreenderão.

Assuma a responsabilidade que Deus colocou em suas mãos. Ame seus filhos, caminhe com eles, ore por eles e abençoe suas vidas. Coloque as mãos sobre eles e declare bênção, direção e propósito. Se for necessário, peça perdão e recomece.

O que podemos oferecer aos nossos filhos, além da nossa presença e da Palavra de Deus? O tempo para construir isso é agora. Por isso, convido cada família a convergir novamente seu caminho a Cristo, para que nossos lares se tornem lugares de honra, de disciplina, de amor e da presença de Deus.

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