Quando a fé é testada: seguir Jesus ou a maioria?

Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 24/04/2026

     Somos lembrados de que Deus demonstrou seu amor quando Cristo morreu por nós, mesmo sendo ainda pecadores. Na ceia, o pão e o cálice representam esse sacrifício: o corpo entregue e o sangue derramado em nosso favor. A Páscoa, portanto, nos chama a refletir sobre vida, morte e, principalmente, sobre a nossa fé — se estamos vivendo uma fé verdadeira ou apenas reproduzindo palavras sem correspondência nas atitudes.
     Somos confrontados com a imagem da multidão que, em um momento, clamava “Hosana” e, pouco depois, gritava “Crucifica-o”. Essa mesma oscilação pode existir em nós quando buscamos Jesus apenas por interesses pessoais, sem disposição para arrependimento, renúncia e transformação. A graça é receber o que não merecemos, e a misericórdia é não receber o que merecíamos; ambas se manifestam na cruz, que é o centro da mensagem da Páscoa e o marco que mudou a história.
    Ao lembrar da Páscoa desde o Egito, vemos o sangue do cordeiro como símbolo do livramento, apontando para Jesus, o Cordeiro definitivo. Assim como o povo foi libertado, também somos convidados a viver essa liberdade, mas sem esquecer que facilmente nos desviamos, influenciados pela “massa”, pelo medo ou pelos desejos imediatos. O mesmo povo que viu milagres esqueceu rapidamente, e isso nos alerta sobre como podemos também esquecer aquilo que Deus já fez em nossa vida.
     Jesus não veio como o rei que satisfaz expectativas humanas, mas como o Messias que transforma o coração. Muitos o rejeitaram porque esperavam soluções imediatas, prosperidade ou libertação política, e não uma mensagem de arrependimento e mudança interior. Ainda hoje, corremos o risco de buscar Jesus pelos motivos errados, desejando benefícios sem compromisso verdadeiro.
      A mensagem nos leva a refletir se, com nossas escolhas diárias, não estamos também dizendo “Crucifica-o” — quando negligenciamos a comunhão com Deus, rejeitamos a renúncia, priorizamos interesses pessoais ou seguimos a multidão em vez de permanecer firmes na fé. A vida cristã exige constância, compromisso e intimidade com Deus, não apenas momentos pontuais de emoção ou necessidade.
      A Santa Ceia é apresentada como memória da cruz, meio de graça e expressão pública de compromisso com Cristo. É um convite à comunhão, ao arrependimento e à renovação da aliança com Deus. Não se trata apenas de um ritual, mas de uma oportunidade de reafirmar nossa fé e nossa decisão de seguir Jesus.
      Por fim, somos chamados a uma decisão pessoal e intransferível: não seguir a maioria, mas seguir Jesus. Deus olha para cada um individualmente e deseja um relacionamento verdadeiro. A reflexão central é sobre nossas motivações: buscamos satisfação pessoal ou uma reconciliação genuína com Deus? A Páscoa nos convida a escolher a vida, reconhecer o sacrifício de Cristo e viver uma fé autêntica, marcada por entrega, arrependimento e compromisso real.

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