Conhecer profundamente a obra de Jesus

Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 17/05/2026

Isaías, cerca de 700 anos antes de Cristo, já anunciava o sofrimento do Messias. Ele descreveu aquele que seria desprezado, rejeitado, homem de dores, esmagado pelas nossas iniquidades e transpassado pelas nossas transgressões. Sobre Ele caiu o castigo que nos trouxe a paz, e pelas suas feridas fomos curados. Jesus decidiu voluntariamente entregar-se na cruz para que hoje pudéssemos viver a salvação eterna, livres da condenação do pecado, porque todas as nossas iniquidades foram colocadas sobre Ele quando declarou: “Está consumado”. Esse é o centro do evangelho e aquilo que celebramos na Santa Ceia.

A igreja não é apenas um lugar de música, palavra e reuniões. É uma comunidade onde compartilhamos dores, vitórias, lutas e milagres. Não fomos chamados para viver sozinhos. Precisamos uns dos outros para caminhar, orar, encorajar e aprofundar nosso relacionamento com Deus. Muitas vezes nem percebemos quantos milagres acontecem ao nosso redor, quantas pessoas são curadas, alcançadas e sustentadas pelas orações da igreja. Na eternidade talvez descubramos quantas vidas foram tocadas por uma simples oração feita em fé. Por isso a comunhão é tão importante. Ajudamo-nos mutuamente a conhecer mais profundamente Aquele que nos chamou.

Precisamos conhecer profundamente a obra de Jesus. Toda a Bíblia aponta para Ele. Os evangelhos revelam quem Ele era, o que fazia e o que ensinava. Seu maior legado foi entregar espontaneamente a própria vida por nós. Esse amor sobrenatural não pode ser apenas ouvido; precisa ser vivido e experimentado. O livro de Hebreus mostra com profundidade o propósito da vinda de Cristo. Deus enviou Seu Filho como homem, tornando-o o cordeiro definitivo, substituindo todos os sacrifícios antigos do templo. Enquanto no Antigo Testamento os sacerdotes repetiam continuamente os sacrifícios, Jesus realizou um único e perfeito sacrifício capaz de redimir eternamente aqueles que Nele creem.

Hebreus declara que Deus falava antigamente por meio dos profetas, mas agora fala através do Filho. Jesus é o resplendor da glória de Deus, a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas pela Sua palavra poderosa. Depois de purificar os nossos pecados, assentou-se à direita do Pai e hoje intercede por nós. Ele é nosso mediador, nosso advogado fiel, nosso intercessor. Não há relacionamento com Deus sem Jesus Cristo. É por meio Dele que temos acesso ao Pai.

Por isso precisamos prestar atenção à mensagem do evangelho e não negligenciar tão grande salvação. Muitas vezes ouvimos, mas não guardamos a palavra no coração. No entanto, Deus continua confirmando sua presença por meio de sinais, milagres, dons espirituais e testemunhos. Jesus não é apenas um símbolo religioso pendurado numa parede; Ele é o único caminho, a verdade e a vida. Seu sacrifício derrotou Satanás e venceu a morte. Pela cruz fomos libertos do medo, da opressão e das cadeias espirituais. Precisamos vigiar, porque o inimigo age de forma sutil, tentando nos afastar de Deus através das distrações, da ganância, do orgulho e do esfriamento espiritual. Somente uma vida íntima com Jesus nos dá autoridade espiritual para declarar libertação sobre nossa casa, nossa família e nosso coração.

O relacionamento com o Espírito Santo deve ser pessoal, íntimo e constante. Não depende da experiência espiritual de outras pessoas. Cada um de nós precisa ouvir a voz de Deus e permitir que Ele fale no cotidiano, nas pequenas decisões, nas reações, nos conflitos e nas dificuldades da vida. Entre a ação e a nossa reação existe um instante em que o Espírito Santo fala conosco e derrama sabedoria. É nesse relacionamento que aprendemos a vencer a carne, amolecer o coração e viver sensíveis à direção de Deus.

A palavra de Deus é viva, eficaz e penetra profundamente, discernindo pensamentos e intenções do coração. Nada está oculto diante do Senhor. Um dia todos estaremos diante Dele para prestar contas daquilo que fizemos com os dons, talentos e oportunidades recebidas. Ainda assim, podemos nos aproximar do trono da graça com confiança, porque temos um sumo sacerdote que conhece nossas fraquezas e se compadece de nós. Jesus passou por tentações, sofreu como homem, mas sem pecado, e por isso pode nos conceder misericórdia e graça nos momentos de necessidade.

O ápice dessa obra aparece em Hebreus quando entendemos que “por meio de um único sacrifício, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”. O sacrifício de Cristo abriu definitivamente o caminho da redenção e da santificação. Enquanto os antigos sacrifícios precisavam ser repetidos continuamente, Jesus realizou de uma vez por todas aquilo que jamais poderia ser alcançado pela religião ou pelos rituais. Hoje somos vistos por Deus como filhos justificados por Cristo. Isso não significa perfeição de caráter imediato, mas uma posição conquistada na cruz. Continuamos em processo de santificação, aprendendo diariamente a viver rendidos, humildes e arrependidos.

Deus não procura arrogância nem aparência religiosa. Ele procura um coração quebrantado e contrito. Assim como Davi se arrependeu sinceramente depois do pecado, também somos chamados ao arrependimento genuíno, à humildade e ao quebrantamento diante do Senhor. Somos vasos escolhidos para manifestar misericórdia, compaixão e graça no mundo. No trabalho, em casa, no trânsito, na igreja e em todos os lugares, devemos refletir a presença do Espírito Santo.

É essa segurança que celebramos na Santa Ceia: a certeza de que Cristo, através de um único sacrifício, conquistou para sempre nossa redenção, abriu o acesso ao Pai e continua nos santificando diariamente até o dia da glória.

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