Pastora Raquel Miliavaca
Publicado em 17/05/2026
Deus trouxe ao coração duas palavras que, à primeira vista, pareciam estranhas para um culto de Dia das Mães: pertencimento e independência. Mas, olhando para a vida de Maria, começamos a entender que ela tinha dependência total do Senhor e independência daquilo que o mundo dizia ou pensava. Maria sabia a quem pertencia. Antes mesmo do anúncio do anjo, ela já conhecia as promessas, já esperava o Messias e carregava intimidade com Deus. Por isso, quando recebeu uma notícia tão absurda aos olhos humanos, não vacilou. Mesmo sendo jovem, morando em uma cidade pequena e mal falada, já comprometida para casar e correndo o risco de ser julgada, rejeitada e até apedrejada, ela entendeu que pertencia a alguém que lhe dava respaldo.
Quando o anjo disse que o Espírito Santo viria sobre ela e que o poder do Altíssimo a cobriria com sua sombra, ela reconheceu o cuidado do Senhor. E foi justamente esse pertencimento que tornou a obediência possível. Diante da escolha entre dizer sim ou não, Maria decidiu obedecer. Ela compreendeu que, para Deus, nada é impossível. Ao visitar Isabel e encontrar a prima, já idosa e estéril, grávida de seis meses, aquilo confirmou ainda mais a palavra que havia recebido. Deus faz coisas que fogem completamente da lógica humana para confundir os sábios e manifestar sua grandeza.
O Senhor escolheu um útero simples, de uma mulher pobre, para gerar o Salvador do mundo. E Maria não se revoltou. Não vemos nela murmuração, desespero ou reclamação. Mesmo tendo que dar à luz numa manjedoura, fugir para o Egito e viver tantas situações difíceis, ela permaneceu obediente. Ela confiava em Deus, mas também obedecia às direções dele. Quando foi necessário fugir, ela fugiu. Quando foi necessário esperar, ela esperou. Isso nos ensina a discernir quando Deus fala e a confiar mesmo sem entender tudo.
Maria também nos ensina sobre resiliência. Aos doze anos, Jesus já manifestava quem era, e ela precisou aprender que aquele filho não lhe pertencia da maneira como imaginava. Mais tarde, nas bodas de Caná, quando Jesus a chamou de “mulher”, ela não se ofendeu, porque já havia entendido quem ele era. Ela sabia a quem pertencia e quem ele era diante do Pai. Enquanto nós muitas vezes nos desesperamos, brigamos e reagimos no impulso, Maria permaneceu firme.
E o momento da cruz talvez tenha sido o mais doloroso. Não existe dor maior para uma mãe do que ver um filho sofrer. Ainda assim, Maria permaneceu ali, suportando em silêncio. Ela nos ensina a sair da culpa e a confiar mais em Deus, entendendo que nossos filhos pertencem primeiro ao Senhor. Fomos agraciadas para cuidar deles, mas não somos donas deles. Precisamos aprender a soltá-los nas mãos de Deus, crendo que ele cuidará, conduzirá e fará o milagre em cada etapa da vida deles.
Não criamos filhos para o mundo; criamos filhos para Deus. E isso precisa ser guardado no coração. Mães são valiosas porque foram escolhidas pelo Senhor para gerar, cuidar e amar vidas preciosas. Por isso, precisamos olhar para nossas mães com honra, parar de liberar palavras ruins e começar a reconhecer tudo o que elas fizeram da maneira que puderam. E também precisamos crer que Deus continua sendo poderoso para gerar vida, realizar milagres e cumprir promessas. O mesmo Deus que abriu o ventre de Sara continua agindo hoje. Basta dizer: “Senhor, aqui estou”.