Amor na prática

Pastor Ademir Miliavaca
Publicado em 18/05/2026

     Vivemos um tempo em que o afastamento de Deus tem feito as pessoas reconhecerem cada vez menos o valor do próximo. Ouvimos diariamente notícias de violência, guerras, traições, famílias destruídas e seres humanos ferindo uns aos outros. Homens matam mulheres, pessoas exploram pessoas, crianças morrem de fome e o amor parece estar desaparecendo da terra. Mas Deus separou um povo para si, um povo chamado para ser luz e sal neste mundo. Esse povo somos nós. Fomos escolhidos para não aceitar essa infiltração de frieza, egoísmo e ódio dentro das nossas vidas, porque o evangelho nos chama para viver o amor na prática.

     Quando Jesus declarou que o maior mandamento era amar a Deus acima de todas as coisas e o segundo semelhante era amar o próximo como a nós mesmos, Ele mostrou que não existe verdadeira espiritualidade sem amor pelas pessoas. Mesmo depois de mais de dois mil anos da vinda de Cristo, a humanidade continua esquecendo disso. Todos sabem que Deus é amor, mas rapidamente deixam essa verdade de lado quando o assunto é pensar em si mesmos. E o resultado está diante de nós: ódio, vingança, exclusão, agressividade e indiferença até dentro das próprias casas. Há famílias vivendo em constante pressão, pessoas humilhando umas às outras, pais explosivos, filhos esquecidos, casamentos destruídos e lares em que o amor esfriou exatamente como Jesus profetizou.

     Mas nós fomos chamados para viver de forma diferente. Jesus nos tirou desse sistema para nos ensinar outro caminho. Não fomos separados para navegar nessa onda de agressividade e egoísmo, mas para manifestar o fruto do Espírito e testemunhar o amor de Deus através das nossas atitudes. Cada um de nós pode transformar o pequeno mundo ao nosso redor. O evangelho não é apenas teoria, culto ou palavra bonita; ele precisa ser vivido nas relações do dia a dia, dentro de casa, no trabalho, na igreja e nas ruas.

    Quando Jesus falou sobre o juízo final em Mateus 25, ele deixou claro que será reconhecido na vida daqueles que deram de comer ao faminto, vestiram o necessitado, visitaram o enfermo e acolheram o estrangeiro. Tudo o que fazemos ao menor dos nossos irmãos, fazemos ao próprio Cristo. Deus constantemente coloca oportunidades diante de nós para praticarmos esse amor: pessoas precisando de oração, de alimento, de tempo, de um abraço, de atenção ou simplesmente de alguém que se importe. O Espírito Santo nos impulsiona a repartir o que temos — nossos recursos, nossa casa, nosso carro, nossa dedicação e nosso amor.

     Muitas vezes aprendemos desde cedo a sermos egoístas, a pensar apenas em nós mesmos e a lavar as mãos diante da dor do próximo. Mas o evangelho quebra essa mentalidade. Não podemos viver fechados no nosso conforto enquanto pessoas ao nosso redor estão sofrendo. Deus nos chama a deixar “as sobras da colheita” para os necessitados, como ensinou em Deuteronômio. Isso significa não sermos mesquinhos, mas entendermos que sempre haverá alguém precisando daquilo que podemos oferecer.

     O amor verdadeiro exige renúncia e obediência. Não basta jejuar, orar e dizer que temos intimidade com Deus se continuamos indiferentes à dor das pessoas. O jejum que agrada ao Senhor é repartir o pão com o faminto, acolher o necessitado, vestir o nu e não negar ajuda ao próximo. Quando fazemos isso, então a nossa luz rompe como a alvorada, a cura floresce, a glória do Senhor nos acompanha e Deus responde ao nosso clamor. O Senhor nos chama a abandonar o dedo acusador, a fofoca, a dureza de coração e a aprender a amar de forma prática.

    Precisamos entender que Deus pode estar usando justamente a nossa vida para cuidar de alguém. O propósito não é apenas crescer pessoalmente, prosperar ou conquistar coisas, mas ser instrumento do amor de Deus na terra. Onde estivermos, devemos carregar esse amor. O amor quebra barreiras, transforma histórias, restaura famílias e muda destinos. Porque Deus não apenas tem amor; Deus é o próprio amor. E nós amamos porque ele nos amou primeiro.

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